você disse que vem
- 9 de set. de 2016
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você disse que vem e aí então surge um sorriso aqui em mim como aquele da primeira vez que eu te vi na biblioteca, com um livro sobre o sistema métrico francês que até hoje você jura que não era sobre isso mas era sim, viu, eu me lembro bem como eu olhei pra você e pensei que era a moça mais formosa e mais bonita daquela esquina como eu me lembro daquele dia que a gente se mudou para uma caixinha de sapato de 28m² no 16º andar daquele tão famoso edifício e falava sobre as vizinhas que eram tão gracinhas e a gente queria era tascar uns beijo nelas no elevador, que sapatão sente o cheiro de couro de longe e eu sempre quis era ver aquele seu sorriso lindo e lembro também daquele dia que eu fui lá no mercado e PLAU comprei 50 reais só em café da manhã, só coisa besta era muito dinheiro pra mim naquela época, mas eu te comprei até bisnaguinha pra colocar com tomate e requeijão, você sempre gostou muito de comer teve uma fase que essa combinação de bisnaguinha tinha gosto de saudade, outra era bálsamo, hoje.. bem, hoje eu como e não tenho mais tanto tempo de refletir sobre isso. certos momentos têm gosto de lágrima, e prefiro evitar porque vem um aperto no peito, uma coisa meio louca, e jamais seria capaz de profanar certos rituais, por mais que o amor seja clichê
é que aquele dia, além do seu sorriso, eu pensei que estava sonhando quando você disse que me amava.
e então a partir de hoje 3 meses pelos nossos 3 anos que você me ensinou tanta coisa bonita e até passei a me ligar mais em bisnaguinhas, sabe? certos detalhes e pequenezas, como o livro sobre o sistema métrico francês, ou o tomate com o requeijão, que é uma ótima combinação, por sinal, que você me ensinou
hoje tem um sorriso grande que ilumina essa cidade pelo caminho pantanoso que atravesso até chegar do trabalho em casa, nessa sexta, olha só que coisa, sempre na marques de são vicente a administração penitenciária transfere os encarcerados, logo hoje não teve nenhum sinal daquele giroflex horrível, e até o cemitério me pareceu uma coisa tranquila e calma, que as pessoas repousam e meu sorriso vai iluminando esse trajeto e deixando rastros e restos de luz, para que também ilumine outras pessoas que por ventura algum dia venham a sentir gosto de lágrima quando comerem bisnaguinhas, para que essas lágrimas se transformem em bálsamos
então eu penso nas coisas que preciso fazer ao longo desse tempo, como por exemplo, comprar aquela raquete elétrica de matar pernilongos que você sempre falou e eu disse que ia comprar, ou fazer uma cópia bem bonita das chaves lá de casa e colocar um chaveiro simpático para embelezar esses nossos caminhos que se cruzam mais uma vez. e pensando nisso tudo eu respiro e penso que hoje mesmo minha respiração está diferente, eu notei, deve ser esse binder, ou talvez foi porque eu mexi com argila pensando no mar. quem sabe eu posso fazer algumas roupinhas bem bregas para os gatos, estampar sua carinha nelas pra ficar legal, algo que os gatos vão odiar mas daria uma foto maravilhosa. faz tanto tempo, você nem chegou a conhecer jesus, o gato mais carente e cantor dessa são paulo, ou meus novos queridos e amados amigos, os quadrinhos que ganhei, não viu a decoração do quarto ao vivo que provavelmente vai te irritar pelo excesso de informação não ouviu os peruanos que sempre colocam ótimos hits de reggaeton, chegam até colocar rbd (!!!)
e nisso tudo, o moço do meu lado no ônibus pergunta porque raios escrevo tanto, e eu pergunto pra ele se já amou alguém - é que a gente suspira e aí vem umas coisas bonitas que fica difícil demais deixar só no peito da gente, dá uma vontade de gritar sorrindo e contar pra todo mundo.
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